domingo, 8 de fevereiro de 2009

FELIZ ANIVERSÁRIO!


Bem, para quem não sabe, ontem completei sessenta e três anos e fui cumprimentado por alguns amigos, entre eles, um velho amigo de longa data que enviou a mensagem que segue. Agradeci os cumprimentos dele com outra, o que ensejou a terceira mensagem da série que me motivou publicá-las como uma espécie de reflexão sobre à inexorável marcha do tempo que nos afeta:

Aceite o sincero abraço virtual de outro veterano! Felicitações pelo seu natalício, sinceramente, Leonel T. Rodrigues.

Leonel, Obrigado meu amigo. Só que, a nós com mais de sessenta, apresenta-se uma espécie de paradoxo: Ao tempo que ficamos felizes por estarmos vivos com essa idade, nos entristece saber que nossos sentidos, nossos órgãos e nossos sistemas já não respondem com a mesma presteza aos nossos desejos, ficamos um pouco saudosos de dias mais jovens. Que fazer, a vida é assim mesmo, quem não quiser que assim seja, desista dela! Abraços, JAIR.

Amigo Jair, Tudo tem sua compensação. Se alguns órgãos já não respondem com a mesma presteza de outrora, temos hoje mais conhecimento e uma visão mais clara do todo como nunca tivemos antes. Isto porque, ao contrário de alguns, teimamos em nos manter atualizados com o nosso tempo e acompanhamos de cima a evolução da nossa civilização! Deixamos de perder tempo com coisas superficiais e aprendemos a apreciar as coisas essenciais, e também temos discernimento para saber separar umas das outras. E, afinal, nem somos tão velhos assim. Quando éramos mais novos, pensávamos que pessoas com a nossa idade atual estavam acabadas, mas agora sabemos que não é isto! Somos, hoje, muito mais capazes intelectualmente do que antes, só não temos, talvez, a mesma disposição de se aventurar que tínhamos tempos atrás! Saibamos apreciar os bons vinhos, as boas iguarias e as boas coroas, já que superamos a idade do lobo, onde os homens perseguem chapeuzinho vermelho e acabam na cama com a vovó! Agora, partimos mesmo é à caça das vovós! Outro abração do, Leonel.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

A ARANHA


Primeiro, a aranha não é um inseto como muitos desavisados a classificam. Os insetos se caracterizam por ter três pares de pernas, cabeça, tórax e abdômen, além de outras particularidades internas e externas como antenas, por exemplo, e a maioria tem asas. As aranhas são animais artrópodes pertencentes à ordem Araneae da classe dos aracnídeos, tem oito pernas e seus corpos se dividem em cefalotórax e abdômen, não tem antenas e, obviamente não têm asas. São bichos tremendamente bem sucedidos em matéria de sobrevivência, adaptação a vários ambientes, diversidade e longevidade das espécies – existem mais de quarenta mil espécies há mais de duzentos milhões de anos. Muito bem, os bichos estão aí, nós também, então temos que admitir viver com eles, apesar deles, a favor deles ou a nosso favor, mas, sem esquecer que eles têm o mesmo direito à vida que nós, ou até mais direito, já que aqui se encontravam a milhões de anos quando surgiu o abominável homo sapiens. As aranhas são, essencialmente, caçadoras de insetos e aqui reside o benefício que elas nos trazem, onde há aranhas os insetos somem, menos as formigas, que estas só são contidas a golpes de tamanduá, formicida natural mais eficiente que existe porém, infelizmente, esse belíssimo animal da fauna brasileira está quase em extinção graças à incúria e ignorâncias humanas; algumas das caranguejeiras maiores caçam filhotes de pássaros, lagartixas e até pequenos mamíferos como camundongos; outras, como a aranha-pescadora, cujo nome já diz tudo, pescam pequenos peixes de água doce. Por serem abundantes e encontrarem-se disseminadas pelo planeta é inevitável cruzarem nosso caminho quase todos os dias e, eventualmente, causarem algum dano à nossa saúde, já que para se defenderem usam as quelíceras ou pinças que, o mais das vezes contém veneno, se bem que em quantidades tão pequenas que dificilmente o dano torna-se sério. Então ficamos assim, não é necessário adotar essas pequenas hóspedes que vivem nas paredes ou no jardim de nossa casa, como eu fazia quando criança dando-lhes moscas para comerem; tampouco transportá-las no bolso como se fossem animais de estimação um pouco exóticos; mas, vamos respeitá-las e deixar viverem suas vidas em paz, assim estaremos contribuindo para a harmonia da vida, a qual todos têm direito, entre os seres deste maltratado planeta. JAIR, Floripa, 07/02/09.

O TUBARÃO


Existem em torno de 375 espécies de tubarões atualmente no planeta, destas, somente três ou quatro são realmente perigosas para seres humanos. Não que elas se alimentem, ou tenham preferência pela carne humana, não, apenas confundem em certas circunstâncias, um nadador, um surfista ou um náufrago com seu prato habitual de peixes ou focas. O tubarão é um vencedor, há quatrocentos milhões de anos, portanto antes de existirem dinossauros, ele já navegava pelos mares e, se o homem não interferir, provavelmente continuará por outros tantos milhões. Ao contrário da maioria dos peixes, o tubarão não tem esqueleto ósseo, ele é cartilaginoso, ou seja, tem cartilagens no lugar de ossos, essas mesmas cartilagens que ditam sentença de morte a muitos deles, porquanto existe uma falsa cultura que cartilagem de tubarão é remédio milagroso. Pois é, existem tubarões de todos os tamanhos e de todos os tipos, o maior peixe do mundo, que atinge até vinte metros de comprimento e pode pesar doze toneladas é o Tubarão-baleia que se alimenta principalmente de plâncton, embora também coma regularmente cardumes de pequenos peixes e lulas. Há, por outro lado, tubarões tão miúdos como os Cações-lixa que não chegam a um metro quando adultos e vivem em águas rasas se alimentando de tudo que encontram, e, os menores ainda, "Colcha-de-retalhos", atraentes bichinhos criados em aquários domésticos. Essas belas criaturas, grandes ou pequenas, esquisitas como a Arraia ou o Tubarão-martelo; belas como o Tubarão branco ou o Tubarão azul, são odiadas pelo que são, não pelo fazem ou podem fazer. O cineasta Spielberg contribuiu tremendamente para esse ódio insano que se dedica a esse esqualo, lamentavelmente. A imagem de "assassino implacável" esconde o real fato de que estão sendo dizimados por um inimigo bem mais terrível, o homem. Os tubarões tiveram suas populações drasticamente reduzidas neste último século e muitas espécies se encontram em situação de grande perigo. Mais de 30 espécies de tubarão estão em risco no Brasil (quase 40% das espécies presentes em nossa costa). No mundo, cerca de 100 milhões deles são capturados por ano, a maioria para a obtenção de cartilagem. Uma das práticas comuns da pesca predatória é arrancar as nadadeiras e devolver o animal vivo para o mar, onde ele afunda e agoniza até morrer. A pele do tubarão tem dentes! Uma das características que define os tubarões é a presença de escamas semelhantes a dentes que cobrem sua pele e são denominadas de dentículos dérmicos. São estes dentículos que fazem com que a pele do tubarão pareça uma lixa. É a imitação dessa pele que resultou na criação de tecido empregado na roupa dos grandes nadadores, como Michael Phelps, o design da pele permite o deslocamento rápido pela água quase sem atrito. O bicho teve milhões de anos para aperfeiçoar-se de tal forma que tanto a pele como os órgãos internos e até seus sensores termos-elétricos ao longo do corpo, são órgãos tremendamente sofisticados, sem falar de seu design hidrodinâmico perfeito. Aliás, tudo no tubarão tem a marca da sofisticação, por isso ele é um vencedor. Mais uma vez, o ódio que o bicho homem dedica a esse animal não pode ser explicado racionalmente, só podemos admitir que por trás desse comportamento execrável do homo sapiens exista algo mais sutil, algo nebuloso como, por exemplo, inveja. O homem sente inveja do melhor, do elevado, do excelso, do vencedor enfim! JAIR, Floripa, 07/02/09.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

O VIDRO


O vidro nosso de cada dia está tão entranhado nos lares, nos grandes edifícios, na indústria, na decoração e no modus vivendi de nossa civilização, que quase não mais o notamos, mesmo com olhos guarnecidos por ele. Comemos, dormimos, bebemos, trabalhamos, viajamos e fazemos tudo o mais em contato com esse fantástico componente da vida moderna e nem ao menos paramos para pensar de onde ele vem, como é fabricado. O ingrediente principal da massa para fabricar vidro é areia de sílica, - nome popular do dióxido de silício - misturada com sais alcalinos, tais como cal, cinza de madeira e soda. O curioso é que os depósitos de sílica são encontrados universalmente e são provenientes de várias eras geológicas. A maioria dos depósitos de sílica que são minerados para obtenção das "areias de sílica" consiste de quartzo livre, quartzitos, e depósitos sedimentares como os arenitos. Sem esquecer que o quartzo é a rocha mais comum do planeta, sendo razoável inferir que também do universo. Pois é, quando alguém olha para uma janela ou um pedaço de vidro extremamente limpo e afirma: "Até parece um cristal!", não pode imaginar o quanto está longe da verdade. Pelo menos em termos de física. Observada em sua intimidade através de microscópio, a maioria dos materiais sólidos como as rochas, por exemplo, pode ser descrita em uma de duas estruturas: cristais ou vidros. Os cristais se caracterizam por apresentar os átomos formando moléculas bem organizadas, cada átomo em sua posição, guardando distância exata de outro átomo como se fosse um batalhão de soldados em boa formação. O diamante é o mais perfeito exemplo de cristal, sua rígida estrutura octogonal o torna a pedra mais dura do planeta. Já os vidros, ou estruturas amorfas, apresentam uma verdadeira bagunça com suas partículas demonstrando o significado da palavra caos. É justamente essa falta de organização que torna os materiais com estruturas vítreas parecidas com líquido, ou seja, tecnicamente o vidro é um líquido, por estranho que possa parecer. Descobertas arqueológicas de janelas guarnecidas com vidros das antigas cidades romanas, Herculano e Pompéia, demonstraram na prática o que a teoria afirma: As lâminas de vidro encontravam-se mais espessas na base, ou seja, o vidro havia escorrido como líquido ao longo dos séculos, e não adianta argumentar que o calor das cinzas do Vesúvio derreteu os vidros, porque estes encontravam-se encaixados em molduras de madeira perfeitamente conservadas, sem quaisquer traços ou marcas de queimaduras, nem chamuscadas estavam. Os vidros convencionais têm estruturas desordenadas devido à forma com que são produzidos: seus ingredientes são misturados, fundidos, e a seguir resfriados e deixados para endurecer. Na medida em que o vidro se resfria, a vibração das moléculas vai diminuindo até que elas fiquem fixas. O problema é que o vidro não se resfria igualmente e as moléculas mais internas, impossibilitadas de se movimentarem, tendem a ficar mais desordenadas. Mas agora cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison, descobriram uma nova forma de se fabricar vidros que acaba um pouco com a bagunça de suas partículas e os torna mais estáveis e resistentes. Os novos vidros são produzidos em seqüências de várias camadas, em um processo chamado de deposição de vapor. O vidro é aquecido até se evaporar, sendo condensado em uma superfície fria logo acima. Como as camadas individuais são muito finas, - alguns mícrons apenas - cada conjunto de moléculas consegue se organizar melhor antes de se solidificar. Os vidros produzidos com esta técnica não chegam a ser cristais, mas, segundo os pesquisadores, levariam 10.000 anos para serem feitos pelo processo tradicional, porque precisariam resfriar muito lentamente. O novo processo demora cerca de uma hora. Mas, a novidade não vai chegar aos nossos lares num futuro previsível, o método é muito caro para ser utilizado na fabricação de vidros para janelas, ou qualquer uso doméstico. Outro processo de fabricação chama-se de flutuação. Nele, a matéria-prima quase liquefeita é derramada sobre um leito de estanho derretido, sobre o qual o vidro flutua e se espalha, buscando seu nível natural, assumindo a forma de uma lâmina lisa e contínua. Enquanto desliza controlada e vagarosamente ao longo do percurso de centenas de metros, a massa vai se esfriando naturalmente. Alimentada, na seqüência, para o forno de recozimento, sofre um tratamento térmico padrão - o recozimento. A superfície é inspecionada para controle de qualidade, por computadores e, finalmente, cortada em chapas. A espessura final do vidro é definida pela variação da velocidade com que a lâmina se move no trajeto. O processo "float" produz um vidro sem ondulações de superfície, tornando-o um produto de alta qualidade. Esse fabuloso material isolante térmico e acústico, cuja transparência permite: luminosidade natural em ambientes; construção de aparelhos óticos desde lentes de contato até grandes telescópios como o Hubble; aparelhos e utensílios os mais variados, tem uma história que excede a própria história do homo sapiens, pois é sabido que erupções vulcânicas, eventualmente, também produzem vidro. Além disso, o vidro pode ser temperado, colorido, moldado, soprado, jateado, lapidado, laminado, tornado a prova de balas e arranjado de diversas formas para se tornar objeto de utilidade ou decorativo. Mas este é tema que, juntamente com a história do vidro, deverá ser abordado em outros textos. JAIR, Floripa, 04/02/09.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

TRÊS MARIAS, A FLOR


Quase toda casa, praça, parque público, chácara ou sítio que se preze tem uma ou mais, como elemento botânico decorativo. A Buganvília, também conhecida por Três Marias ou Flor de papel, é uma belíssima falsa trepadeira (falsa porque as verdadeiras trepadeiras possuem gavinhas), da família das Nyctaginaceas cujas flores no verão atraem a atenção de quem passa onde quer que se encontre. A mais comum é a de cor roxa, mas nos anos mais recentes podem facilmente encontrar-se outras cores desenvolvidas por seleção genética por botânicos de diversas partes do mundo. O seu nome provém de Louis Antoine de Bougainville, Conde, capitão de navio, advogado, matemático e explorador, que se juntou à armada francesa por volta de 1760 no Canadá, onde viria a conhecer e a fazer amizade com Philibert Commerson, viajante e botânico francês que viajava a serviço da França e veio a descobrir esta planta no Brasil, precisamente na Ilha de Santa Catarina, onde esteve em 1763 e privou da companhia de Francisco Antonio Cardoso de Menezes e Souza, efêmero governador da então Capitania da Ilha de Santa Catarina. Esta planta, extremamente comum na região, era conhecida por Três Marias por possuir três brácteas fundidas, ou folhas modificadas coloridas, - que lhe dão aquele aspecto tão atraente - normalmente confundidas com pétalas. Ao ser levada por Bugainville para a França, onde passou a ser cultivada em viveiros, a flor teve sua existência ligada ao Conde de tal forma que as pessoas passaram a chamá-la de Bungainville, nome hoje aportuguesado para Bunganvilia. Dos troncos, protegidos por fortes espinhos, ramificam todos os anos novos rebentos que crescem vigorosamente e para os lados de forma desordenada. Estas plantas, por não serem trepadeiras verdadeiras, podem também ser “domesticadas” em forma de arbustos, que se tornam árvores de médio porte, desde que se proceda ao corte das pontas nos rebentos novos à medida que eles crescem. As folhas têm o feitio de um coração e possuem uma cor verde escura. A variedade B. glabra atinge uma altura de três metros ou mais, tem folhas macias, menores e com menos espinhos enquanto que as folhas da B. spectablilis têm uma penugem no lado inferior. As flores verdadeiras são os pequenos tubos amarelos e brancos que se encontram envolvidos nas três brácteas coloridas. A B. glabra é uma trepadeira com troncos menos espinhosos e floresce intermitentemente durante toda a estação quente. A B. spectabilis cresce com grande vigor podendo atingir de seis a nove metros de altura, tornou-se uma espécie popular e ornamental em quase todo o mundo, especialmente nos climas quentes da América do Norte e do Sul, na Europa e no sudoeste asiático. Em alguns casos, pelo seu porte e vigor, algumas podas regulares fazem dos espécimes existentes e quase selvagens magníficos exemplares de decoração paisagística. Ao viajarmos pela Europa e até pela Ásia e vermos essas esplêndidas plantas, normalmente, não temos noção de estarmos diante de planta de origem genuinamente brasileira. Que fique registrado: Buganvília, Três Marias, Flor de Papel ou quaisquer outros nomes que possa ter essa planta, ela é tão BRASILEIRA quanto jabuticaba. JAIR, Floripa, 02/02/09.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

INVENTANDO SOLUÇÕES




A história da sociedade humana é marcada por acontecimentos, fatos notáveis, eventos e inventos que, uma vez surgidos, modificam ou influem no todo ou em parte dessa sociedade de modo a torná-la dinâmica no sentido de evoluir e deixar de ser o que era até então. Temos como exemplos marcantes revoluções, guerras, desastres naturais de grandes proporções e inventos. A revolução francesa, as grandes guerras mundiais, a descoberta da América, a invenção da máquina a vapor, a invenção roda, a descoberta da penicilina e a internet são marcos na evolução humana que tornaram nossa sociedade tal como ela é, sem que se possa conceber como seria sem essas coisas. Quando um evento de alto impacto como a segunda guerra mundial ou de alta tecnologia como a invenção da máquina a vapor surge, é natural que esperemos grandes e permanentes modificações ou uma espécie de ponto de inflexão evolutivo na sociedade. Contudo, o que mais chama atenção são as descobertas ou inventos de baixa tecnologia, como a adoção da roda num tempo muito remoto que, provavelmente, nada mais foi do que o aproveitamento de uma “fatia” de um tronco redondo furado no meio no qual se introduziu um eixo, e o mundo passou a rodar e nunca mais parou; ou a invenção do clipe de papel em 1898 por Johan Vaaler, norueguês que aproveitou a maleabilidade do arame, dobrou-o de certa maneira e revolucionou para sempre o modo com que se junta papéis nos escritórios e repartições de todo o mundo. Esses dois inventos de baixíssima tecnologia tiveram mais impacto em nossas vidas, influíram mais no que hoje somos, deixaram uma marca mais profunda e significativa na sociedade do homo sapiens, agregaram mais valor à humanidade do que a chegada do homem na Lua, por exemplo. De certa forma, ao nos depararmos com uma coisa nova, por mais simples que seja, não temos condições imediatas de julgá-la de acordo com sua utilidade futura ou quais melhorias operacionais ou na condução de uma atividade que poderá advir de sua adoção. Vale dizer, não é de hoje que pequenas modificações em procedimentos, ferramentas, aparelhos e modos de fazer ou trabalhar, melhoram a produtividade, o desempenho, a qualidade e os lucros das empresas. Colocando na prática e nos dias hoje, empresas de aviação comercial de todo o planeta deparam-se com problema que parece banal, mas que lhes trazem grandes dores de cabeça: Como e quando lavar as aeronaves de modo que estejam sempre apresentáveis aos olhos dos passageiros? Avião sujo denota desleixo e isso, para os clientes, pode parecer falta de segurança, o que sempre redundará em baixa ocupação de assentos e queda de lucros. Por outro lado, quando lavar o avião, se este ou está voando ou no solo recebendo passageiros e abastecendo? Apenas quando entra em manutenção de grande porte, de tantos em tantos meses? Impossível! Isso equivale a dizer que a maior parte do tempo a aeronave voaria suja! Pois bem, a Qantas, empresa australiana de aviação, também encarava esse problema como todas as grandes do planeta. Só que a Qantas agrega em seu quadro de funcionários, Leonel T.R., eficientíssimo chefe de manutenção com espírito inventivo. A partir de uma idéia bem simples: Lavação se faz com água sob pressão e sabão, que pode ser chamado de xampu ou detergente sem desmerecer suas qualidades. Pois bem, durante os vôos em altas altitudes a aeronave, comumente, voa entre nuvens que nada mais são que gotículas de água sob pressão, esta advinda da velocidade aerodinâmica do avião. Temos aí água e pressão, falta o quê? Sabão, xampu, detergente líquido. Foi onde entrou a criatividade e o conhecimento técnico de Leonel, que, apesar do nome latino, é australiano da melhor estirpe, trata-se de descendente direto de aborígines das terras orientais do hoje estado de Queensland, considerados os nativos mais inteligentes da Austrália e do mundo. Posto o problema, Leonel veio com a solução: Adaptar, em pontos escolhidos tecnicamente das asas, fuselagem e empenagem, borrifadores de solução líquida de sabão não corrosivo, que se dispersa em forma de spray através de orifícios calibrados. O disparo do produto fica a cargo do piloto com um simples acionamento de botão na cabine quando houver necessidade e as condições forem favoráveis, ou seja, avião sujo e voando dentro de nuvem. Feitas adaptações e testes que demandaram muitas horas de trabalho, chegou-se a um estado ótimo em que as aeronaves da Qantas sempre pousam limpas como se tivessem saído de lava rápido. A Boeing, consultada sobre o invento, já deu seu aval, isto é, aprovou a modificação em suas aeronaves a título não mandatório, equivale dizer que os operadores de aeronaves Boeing poderão adaptar seus equipamentos se quiserem, e eles querem. Ao chefe de manutenção Leonel coube a dupla glória de ter seu nome incluído no rol de inventores de coisas simples que solucionam grandes problemas, e ter sua conta bancária inflada porque registrou a invenção em seu nome. As grandes empresas agradecem a Leonel que, com alguma criatividade, ousadia para levar uma idéia à frente e perseverança para convencer outros da conveniência do dispositivo, marcou um importante tento para o quadro da manutenção de aeronaves. JAIR, Floripa, 01/02/09.