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quarta-feira, 1 de abril de 2009

ULURU

Monólito, do dicionário: Obra, monumento ou bloco natural formado de uma pedra só. O Pão de Açúcar no Rio de Janeiro é um exemplo típico de monólito, neste caso, um bloco único de granito. O Uluru é um monólito, tem 338 metros de altura, três quilômetros de extensão e, segundo os geólogos, mais dois mil e quinhentos metros sob a terra, o que o torna o segundo monólito do planeta em tamanho, o primeiro chama-se Monte Augustus, e também se situa na Austrália. Esse colossal monólito é constituído de arenito. Arenitos são rochas sedimentares (formadas por sedimentos que se depositam, geralmente no fundo de um lago) constituídas por areias aglutinadas por um cimento natural, que geralmente caracteriza a rocha, ou seja, trata-se de rochas feitas de areia, daí o nome. O Uluru situa-se no centro norte da Austrália e é o local mais reverenciado pelos aborígines. As cavernas ao redor de Uluru abrigam pinturas sagradas que mostram “The dreaming”, o tempo mágico do conceito aborígine da criação, quando o universo passou a existir. Para os aborígines Anangu, tribo que vive no Parque Nacional Kata Tjuta no qual está situado o monólito, Uluru é um ser vivo que abriga dezenas de seres ancestrais que ainda vivem em lugares especiais nas cavernas e reentrâncias da pedra. Suas atividades são registradas em alguns locais da rocha e muitas das histórias são sagradas e cobertas de segredos. Em 1980 o parlamento australiano “reconheceu” a posse da pedra, que os brancos chamam de Ayers Rock, e do parque aos Anangus, ainda que estes vivessem ali há milhares de anos, e estes o arrendaram ao estado Australiano por 99 anos. Os turistas que visitam o monólito normalmente têm a finalidade de escalar suas vertentes, mas os nativos não enxergam com bons olhos essa atividade, pois lhes parece uma profanação de local tão sagrado e importante para sua cultura. Os Anangu não escalam o bloco rochoso e limitam-se a solicitar aos visitantes que os respeitem, e às suas leis tradicionais. Proibir não faz parte da sua cultura, de forma que pedem, apenas. Apesar dos apelos, quase sempre há inúmeros turistas, como a carreiras de formigas, subindo e descendo o monólito, se lixando para os pedidos dos legítimos proprietários do lugar. O que torna a pedra de uma beleza rara é sua capacidade de refletir cores de acordo com a posição do sol. Sua composição arenítica contém o mineral feldspato e este lhe confere tons de magenta, laranja, vermelho, amarelo e amarronzado de acordo com a reflexão solar, é um espetáculo magnífico apreciar suas mudanças de brilhos, sombras e cores, texturas e formato aparente. Bem, esse maravilhoso monumento está solidamente fincado na paisagem do Out Back desde trezentos milhões de anos e só nos últimos quarenta anos já sofreu mais danos que todos os desgastes naturais do sol, da chuva e dos ventos infringidos durante o resto do tempo. Os visitantes costumam tirar lascas da pedra para levar como souvenir. É de se pensar se o homem, esse maldito dilapidador, não está no mundo apenas para isso: transformar o perene em transitório; estragar em dias o que a natureza levou milhões de anos para construir; destruir tudo e todos de forma a tornar o planeta inabitável em pouco tempo. Esperemos que não! Façamos votos que venha aí uma geração de pessoas conscientes da fragilidade do equilíbrio natural existente entre os seres vivos, - entre eles o homo sapiens, é claro – e o ambiente que os cerca. A harmonia do planeta está em nossas mãos, seremos os agentes de sua destruição ou de sua preservação, depende de nós. JAIR, Floripa, 01/04/09.