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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

OUTRO BICHO MUITO ESTRANHO


O peixe pescador Lophius piscatorius vive em mares abissais, costuma assentar-se no fundo e aguardar com paciência as presas, em geral peixes famintos. Como a maioria dos peixes de regiões profundas o piscatorius não é um campeão de beleza pelos nossos critérios. Aliás, talvez também o não seja pelos padrões dos outros peixes, contudo, isso não deve ter importância, pois lá nas profundezas, onde ele vive, impera uma escuridão tal que nada se enxerga. Como outros habitantes da escuridão, as fêmeas dessas espécies produzem sua própria luz – ou melhor, elas possuem um receptáculo especial onde abrigam bactérias Vibrio Fischeri produtoras de luz. A “bioluminescência” não gera claridade suficiente para iluminar detalhes de objetos, mas brilha o bastante para atrair peixes incautos.
Uma espinha que, em um peixe normal, seria apenas um dos raios de uma barbatana, tornou-se no pescador alongada e rígida como um caniço de pesca. Em algumas espécies essa “vara” é tão longa que se assemelha a uma linha. E na ponta dessa vara ou linha de pesca há uma atraente isca. Essa isca varia conforme a espécie, mas todas lembram comida: um verme rebolante, um peixinho ou um petisco indefinível, mas de aspecto apetitoso e tentador. Estas iscas, luminosas por causa das bactérias Vibrio, são como um cartaz de neon numa lanchonete anunciando: Aqui, o seu delicioso lanche é bom e barato! Os peixes famintos, como adolescentes humanos num “Mac Donald”, ficam fissurados pelas iscas tentadoras. Aproximam-se do engodo e é a última coisa que fazem na vida, pois, nesse momento, o peixe pescador abre a bocarra e engole a presa num átimo. Ao invés de abastecerem o próprio estômago de comida, alimentam a barriga da fêmea pescadora.
Além dessa, digamos esdrúxula técnica apurada de pesca, esse peixe apresenta, ainda, algo mais bizarro no seu comportamento reprodutivo. Quem pesca é a fêmea, já o macho é tão menor que a fêmea que adere a ela como um parasito, fornecendo o esperma para fecundação dos ovos em troca de fluidos - dos quais se alimenta como um carrapato - e da proteção contra predadores que o tamanho da parceira representa. Uma vez agarrado à fêmea, o macho jamais se separa, morre quando esta vier a morrer. É um típico caso de amor romeujulietano com viés trágico de dependência parasitária determinística, algo muito estranho para nós humanos. JAIR, Floripa, 10/02/10.