
Depois que publiquei meu post sobre ovos recebi alguns comentários e, entre eles, destaco o seguinte: “Jair. Muito bom e didático este seu ‘textículo’ sobre ovos, entretanto, não devemos esquecer que existem também, ‘os óvos’, linguajar chulo que define testículo..” do meu primo Joel. Pois é, pelo visto faltou enquadrar o assunto na conotação testicular. Na verdade se formos encarar as gônadas masculinas em função de sua forma geométrica elas guardam mais semelhança com um feijão ou um rim, não com um ovo. Contudo, como encerrei meu texto aludindo à perfeição: O OVO CÓSMICO é por aí que vamos começar, mesmo porque, esse é o ovo primordial. O ovo cósmico representa a perfeição por que ele seria a gênese de tudo que existe, é dele que tudo se origina. Não só a origem física das coisas, como a origem do próprio pensamento; a origem da idéia de criação. Vejamos. É do ovo que nascem as aves, os répteis e os peixes; nos mamíferos os ovários das fêmeas assemelham-se a ovóides e, dali saem os óvulos que não pela forma, já que são esféricos, estão ligados à idéia de criação, nascimento, concepção; com uma certa liberalidade podemos dizer que o aspecto da maioria das frutas se assemelha a ovos; até formas oblongas alongadas como uma banana, embora não pareçam, também são ovos degenerados; já a maioria das laranjas, por exemplo, são tão parecidas com ovos de avestruz que torna-se claro entender a correlação existente. Ora, as frutas também estão, intrinsecamente, ligadas à reprodução, à perpetuação das espécies, pois nelas estão inclusas as sementes que podem ser vistas como ovos da planta que quer se reproduzir. A idéia do início de tudo associada ao ovo está na totalidade das coisas que nos cercam e, não poderia ser diferente, até nos nossos bagos. Os testículos poderiam ter formato de cubo ou octaedro e, ainda assim seriam ovos, obviamente, neste caso, não pelo aspecto mas, pela finalidade a que se destinam, isto é, pela idéia de início da vida. Queiramos ou não, quando se diz que o homem pensa com os testículos, de certo modo é verdade, passamos mais tempo pensando em sexo que preocupados com questões filosóficas e pensamentos abstratos; temos entre as pernas o saco escrotal que é tão importante quanto o cérebro só que mais aparente e sensível. Nosso cérebro, não por acaso encerrado numa caixa craniana em forma de ovo achatado, não sente dores, sendo possível até intervir cirurgicamente sem anestesia em seu interior, já nossas bolas são dotadas de uma sensibilidade em nenhum momento igualada por quaisquer órgãos do corpo. A natureza localizou o escroto dos homens entre as pernas para, justamente, protegê-lo de possíveis agressões externas; as pernas são escudos sólidos que ladeiam como colunas dóricas esse tão delicado quanto essencial órgão; por trás, a região glútea muito musculosa age como almofada amortecendo qualquer tipo de impacto vindo de lá; na frente nossos olhos são os radares que nos advertem se houver perigo iminente. Assim, protegidos pela natureza, os colhões são, ainda que só do ponto vista masculino, o centro da origem dos seres organizados e, por isso, sejam eles redondos, quadrados ou de qualquer outra forma sempre serão OVOS. JAIR, Floripa, 29/12/08.

