O arredondado corpo de metal de um avião é muito bom em refletir sinais de radar, e isso facilita encontrar e rastrear aeronaves através de equipamentos eletrônicos. O objetivo da tecnologia stealth é fazer com que um avião se torne invisível ao radar inimigo. Há três maneiras diferentes para criar essa invisibilidade, duas são passivas: O avião pode ser moldado de modo que os sinais são refletidos para longe do equipamento receptor de radar; e o avião pode ser coberto com materiais que absorvem os sinais eletrônicos. E uma é ativa: O avião alvo emite sinais que confundem o radar, esta é chamada contra medidas eletrônicas.
A maioria das aeronaves convencionais tem forma arredondada porque esta as torna aerodinâmicas, mas, em contrapartida, também cria um refletor de ondas muito eficiente. A forma redonda significa que não importa onde o sinal de radar atinge o avião, sempre uma parte do sinal é refletida de volta. Pelo princípio de reflexão que estabelece que o ângulo de saída é o mesmo que o de incidência, sempre haverá superfícies cujo ângulo é favorável ao aparelho que emitiu o raio. Um avião stealth, por outro lado, é composto de superfícies totalmente planas e as bordas muito afiadas. Quando um sinal eletrônico atinge um avião stealth, o sinal reflete fora do ângulo de retorno. Em geral os aviões stealth incorporam todas as tecnologias, formas retas, materiais mau refletores de sinais e aparelhos que emitem sinais falsos.
A tecnologia stealth que foi desenvolvida para tornar aeronaves de bombardeio como o B2, invisíveis ao radar do inimigo, jamais havia sido empregada em helicópteros, porquanto estes, devido sua aerodinâmica compelxa e pás de sustentação ruidosas, não eram considerados passíveis de serem modificados para evitar detecção. Fazendo uma analogia, transformar um helicóptero em stealth era como disfarçar uma bicicleta dentro de um saco. Parece que isso mudou, um projeto ultra secreto dos EUA agora se tornou conhecido.
Helicópteros invisíveis são helicópteros que incorporam a tecnologia stealth para evitar detecção. Nos últimos anos, surgiram projetos para lâminas dos rotores que podem reduzir significativamente o ruído, que é uma questão importante para o uso clandestino de helicópteros. Um ataque no complexo de Osama Bin Laden maio 2011 utilizou dois UH-60 Black Hawk, fortemente modificados para as chamadas operações silenciosas e empregando tecnologia stealth para ser menos visível ao radar.
Uma equipe de elite de SEALs da Marinha dos EUA executou o ataque ousado que eliminou Osama Bin Laden, os comandos foram capazes de se deslocar silenciosamente graças ao que os analistas de aviação dizem ser helicópteros top secret, nunca antes vistos, helicópteros Black Hawk modificados e mantidos em segredo até para as tropas que eram conduzidas por eles.
No decorrer da operação que custou a vida do líder da Al Qaeda, um dos dois helicópteros Black Hawk, que transportava uma das equipes de SEALs que atacou a casa fortaleza paquistanesa de Bin Laden bateu com a cauda num dos muros do complexo e foi forçado a fazer uma aterragem forçada. Com o helicóptero inoperante, no final da missão os SEALs destruíram-no com explosivos para evitar que seus segredos caíssem em mãos inimigas.
Mas fotos dos restos que sobreviveram à explosão - a seção da cauda do avião, com modificações estranhas, que acabou ficando do lado de fora do muro – despertaram a curiosidade de analistas militares sobre um programa de helicóptero stealth que até então só existia através de rumores. A partir de um boom de cauda modificado a fim de provocar redução de ruído com um dispositivo que cobre os rotores traseiros e um material de alta tecnologia especial semelhante ao usado em caças stealth. Especialistas do Departamento de oficiais da Defesa e do Instituto Lexington disseram que esse helicóptero não se parece com nada que eles tenham visto antes.
"Esta é uma primeira vez", disseram. "Você não saberia que eles estão vindos diretos para você. E é isso que é importante, porque estes chegam rápidos e em baixa altitude, e como não fazem ruído, você não pode reagir até que seja tarde demais ... Isso foi claramente parte do sucesso".
Além das modificações de redução de ruído, um ex-aviador de operações especiais do Exército disse ao The Times que a forma geral do que restou da aeronave acidentada - os ângulos ásperos e superfícies planas mais comuns a jatos stealth – é uma prova cabal que era uma versão modificada variante do Black Hawk. Um alto funcionário do Pentágono disse à ABC News que o Departamento de Defesa "absolutamente não" comentaria sobre qualquer coisa relativa ao helicóptero destruído.
Vizinhos de Bin Laden em Abbottabad, Paquistão, disseram à ABC News que na noite de domingo (01/05/2011) por ocasião do ataque, não ouviram os helicópteros, até que estes estivessem diretamente em cima da casa de Bin Laden. O supressor de ruídos do rotor de cauda, juntamente com um design especial das pás do rotor principal, suprimindo o ruído de batimento característico dessas máquinas, permitiu uma aproximação do alvo quase imperceptível. Bill Sweetman, editor e chefe da Defense Technology International, resumiu: "Helicópteros fazem um som percussivo muito distinto do rotor que é causado pelo batimento de suas pás e se você conseguir diminuir a intensidade desse ruído de modo a misturar com o som ambiente, é claro que se fará um ruído muito menos audível e com muito mais chances de se integrar em qualquer ruído de fundo".
Claro que além desse ruído indistinto, as formas retilíneas do corpo da máquina juntamente com outras medidas não conhecidas, tornam os Black Hawk modificados helicópteros invisíveis de máxima letalidade numa batalha.
Desde março de 2011, a FAB possui um esquadrão de Black Hawk normais baseados em Santa Maria no RS. JAIR, Floripa, 06/11/11.
domingo, 4 de dezembro de 2011
Helicóptero invisível
quarta-feira, 13 de abril de 2011
A Obra

Do Huaiss: Obrar – Expulsar excrementos; defecar. Sujar-se de matéria fecal.
Colegas da FAB instaram-me a escrever alguns “causos aeronáuticos” os quais eu tenha presenciado na minha longa experiência voando neste Brasil varonil. Lembraram-me que eu poderia ter vivenciado algum que fosse digno de relato. Pois bem, passei por alguns “relatáveis” e até hilários, mas gostaria de contar um que sempre acho particularmente edificante.
Foi em 1979 quando eu era mecânico de helicópteros SH-1D na Base Aérea de Florianópolis. Estávamos em vôo de instrução, cujo instrutor era o tenente Cláudio e o aluno era o tenente coronel Salger, subcomandante da Base. Há que se esclarecer que o TC Salger era descendente de alemães aqui do sul, muito austero, sério, empertigado, não costuma brincar nunca, coluna ereta, tinha o porte de um nazista sem a maldade daqueles. Alto e magro, se usasse monóculo lembraria o coronel Klink do antigo seriado “Guerra, sombra e água fresca”, obviamente sem o gestual caricato daquele personagem. Falava bem alemão, francês e inglês, costuma ser frio no trato com as pessoas, nunca “abria a guarda”, ninguém tinha intimidade com ele, embora todos o respeitassem e sentissem certo temor de sua postura marcial de milicão irado. Era senhor prá cá, senhor prá lá, uns diziam que o sangue que corria em suas veias era azul cerúleo, outros juravam que estava mais para o azul cobalto, mas nunca se chegou a um consenso.
Então, sobrevoávamos o oeste catarinense, lá no planalto, próximo a Lajes, sobre extensas plantações de não sei o quê - as plantinhas mal se viam brotando do solo revolvido. Não tínhamos voado nem meia hora quando o TC Salger comunicou que estava acometido de cólica intestinal violenta, havia comido alguma coisa na noite anterior que não lhe caíra bem. Notava-se pela sua expressão que ele se encontrava constrangido e visivelmente angustiado. Não sei se pelas cólicas ou por ter que expor-se num assunto tão delicado, tão íntimo. Foi falar e, imediatamente, pedir para que o Ten Cláudio pousasse ali mesmo na plantação de não sei o quê. Como sabemos, helicópteros e seus ruídos característicos são o que há de mais atrativos para o público leigo. Lembram ímãs na presença de limalhas de ferro. Pois bem, o piloto procurou rapidamente um terreno plano próximo a um capãozinho de mato – não tão próximo a ponto de pôr em risco as pás do rotor, é claro, mas perto o suficiente para que o TC Salger pudesse correr até àquele matinho para soltar o barro com privacidade. Pousada a máquina, Salger pegou rapidamente uns papéis que conseguiu alcançar e abriu a porta. A coisa era muito mais urgente do que supunha nossa vã filosofia! Foi abrir a porta, agachar-se ali mesmo ao lado do barulhento “Sapo”, baixar o macacão e a cueca e, com grande ruído, adubar com violência aquela plantação delicada que mal se projetava timidamente do chão pátrio. E quem já tentou obrar de cócoras, com as calças arriadas, sabe o quanto é difícil não sujar a roupa com a matéria expulsa do organismo com certo ímpeto, ainda mais numa emergência. Pois é, como depois viemos perceber, Salger não ficou livre desse efeito colateral de sua obra.
Como escrevi acima, o ímã helicóptero atraiu toda a limalha em forma de colonos das redondezas. Nunca vi tantos em tão pouco tempo vindos de não sei onde. Eram dezenas de agricultores curiosos que se aproximaram de todos os lados, respeitando apenas os rotores que continuavam girando. Era hilário, o Salger, com a famosa compostura em frangalhos, defecando, vermelho, não sei se de vergonha ou porque estava em êxtase fecal diarréico. O piloto e eu não resistimos e começamos a rir, mesmo sabendo que poderíamos ser devidamente punidos, não nos contivemos diante daqueles cidadãos simplórios, cheios de curiosidade, perguntando: o que está acontecendo? E Salger sem ter como se esconder, colocava uma providencial carta de navegação sobre o rosto a guisa de tapume. Aliás, essa mesma carta serviu para limpar sua retaguarda que, nessa altura, todo o povo ingênuo e simples à volta havia contemplado a cores e sons em tempo real. Não sei dizer como o majestático militar se comportou depois de tão inusitada defecada. Não mais tive oportunidade de voar com ele e pouco tempo depois ingressei na Escola de Oficiais Especialistas.
OBS – Os fatos aqui narrados são a pura expressão da verdade, apenas os nomes foram trocados para evitar constrangimentos... e ações judiciais também. JAIR, Floripa, 31/03/11.
