Mostrando postagens com marcador Harley Davidson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Harley Davidson. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Borsalino




Certos bens duráveis, por sua qualidade, durabilidade, classe, preço ou estilo, têm tendência a se tornar clássicos, o que quer dizer que mesmo o passar do tempo não os tira de circulação ou não consegue sucedâneos que os tornem obsoletos ou ultrapassados. Assim é com marcas de carros, por exemplo, quando se quer dar ênfase a excelência de um carro acima de comparações cita-se o Rolls Royce. Não há necessidade de se conhecer as minúcias que fazem dessa marca a referência mundial em matéria de carro, basta dizer, tal coisa é o Rolls Royce de sua categoria. Similarmente as motos também têm uma referência famosa, Harley Davidson. Há quem diga que existem motocas, motos, motocicletas e Harley Davidson, esta está tão acima das outras que não há como comparar. Relógios mecânicos também têm seu clássico, os relógios suíços Ômega, uma máquina elegante, precisa e bem acabada que foi must antes do advento dos relógios eletrônicos de quartzo. Quem tem um Ômega sabe do que estou falando.
No caso de indumentárias, adornos corporais e perfumes é óbvio que também, existem “clássicos”, só que estes estão mais relacionados ao nome do estilista que lançou a roupa ou adereço. Dior, Madame Coco Channel, Valentino, Cartier, Kenzo e outros famosos dão o tom do que é especial na alta costura, jóias e enfeites, aliás, alta costura já se refere aos grandes estilistas. Ainda nesta área temos um chapéu clássico, o Borsalino. O senhor Giuseppe Borsalino, nascido em 1834 na cidade de Alexandria, Cecília, aprendeu a arte de fabricar chapéus na França em 1850. Voltou para sua terra e montou a fábrica Borsalino de chapéus. Segundo aqueles que entendem, entre eles o ex político Paulo Brossard, o Borsalino é mais do que um simples chapéu, é uma obra de arte. É feito à mão e escovado centenas de vezes até se tornar uma peça única de acabamento impecável. É confeccionado com feltro feito de pêlos de coelhos angorá de uma variedade só encontrada no sul da França. Começou com gangsteres da Cecília, depois os marginais de alto coturno de Chicago adotaram o Borsalino, entendia-se que roubar e matar não eximia o perpetrador de ostentar uma certa classe. Tão integrado foi o chapéu aos gangsteres, que estes eram chamados de Borsalino na Itália.
Um Borsalino está para os demais chapéus assim como o Rolls Royce está para os outros carros, O Borsalino é o Harley Davidson dos chapéus. Muitos acreditam que se trata da mais notável cobertura para cabeças masculinas que já existiu no Planeta.
Por que estou elogiando um adereço que nunca usei e sequer conheço? Pois é, nas relações com nossos semelhantes, sejam relações de amizade, parentesco, profissionais ou ditadas pelas circunstâncias, nós, o mais das vezes involuntariamente, costumamos classificar as pessoas as quais por dever de ofício ou não, nos são próximas. Essa classificação costuma ter um viés de qualidade, isto é, nos perguntamos quanto confiável é tal pessoa, quanto leal ou honesta pode ser etc. Nada diferente do que fazemos ao comprar um sapato, por exemplo. Se vamos optar pela compra, queremos saber se é confortável, durável, elegante e outros atributos. As pessoas não são coisas, mas nos passam certas impressões que nos agradam ou não.
Então, com relação às relações pessoais, existe o que os experts chamam de “teste do Borsalino”. Dizem que existe um teste para revelar se um chapéu é um autêntico Borsalino ou apenas uma imitação desprezível. O teste do chapéu verdadeiro consiste em enrolá-lo como um cilindro, transformá-lo num tubo bem fino e passá-lo por uma aliança de casamento. Se ele sair dessa prova sem marcas permanentes, se voltar à forma original, se a experiência não danificá-lo, então é um Borsalino original.
Serão verdadeiros amigos aqueles que passarem galhardamente pelo teste do Borsalino. Claro que o teste dos amigos é apenas virtual, mas não deixa de ser extremamente rigoroso, e pouquíssimos são aqueles que conseguem passar. Lembrando que o teste da amizade resiste ao tempo e à distância. Particularmente, tenho amigos de infância que fico sem vê-los anos, mas quando nos encontramos parece que foi ontem que falamos a última vez. Eles passam pelo teste do Borsalino com louvor. Não descartando meus amigos, que os tenho poucos, acho que quem sempre passará pelo teste será o cachorro. Aliás, ouso dizer que o cachorro é o Borsalino dos seres vivos. JAIR, Floripa, 12/12/11.