
Biologicamente as raças são chamadas de subespécies e definidas como grupos de seres vivos que são fisiológica e geneticamente distintos de outros grupos. São da mesma raça os indivíduos que podem cruzar entre si e produzir descendentes férteis. Este é o conceito natural aceito por toda a comunidade científica, e é o que melhor define o que quer que seja a tal de raça. Se você tem um terreiro cheio de galinhas caipiras de cores diferentes, brancas, carijós, vermelhas, pintalgadas etc, você não tem um monte de galinhas de raças diferentes, são apenas variações de mesma raça. Mais até, se você tem muitas galinhas definidas como de raças diferentes, legornes, andaluzas, jérseis e outras, ainda assim você está diante de uma classificação não científica, porque essa definição obedece apenas critérios comerciais, geográficos, técnicos e de interesses outros que não os estritamente aceitáveis dentro do conceito raça. Assim, cachorros poodles, dálmatas, filas, buldogues são todos variedades de uma raça de cachorro que, de acordo com pesquisas, é o lobo asiático, este sim uma raça de canídeo diferente do coiote, da raposa e do dingo australiano. Raças de cães definidas como tal pelos criadores e cinófilos são criações artificiais que obedecem as vontades humanas, sem quaisquer respaldos da natureza, aliás, se deixarmos as diversas variedades de cachorros à vontade para procriarem, elas irão cruzar-se livremente de tal forma que o produto final será nada mais que a perfeição: O VIRA-LATAS, cachorro sem nenhum dos melhoramentos tão cultuados pelo homem, mas, decididamente, o animal com o melhor perfil genético dos canídeos. Querer definir o homem como espécie e dividi-lo em raças de acordo com a cor da pele ou tipo físico é coisa mais estúpida que se pode fazer. Raças humanas não existem. A cor da pele, uma adaptação evolutiva aos níveis de radiação ultravioleta vigentes em diferentes áreas do mundo, é expressa em menos de dez genes dentre os milhões que compõem o genoma humano. Não é legítimo associar a cor da pele a ancestralidades e afirmar que são de raça negra os descendentes de escravos, ou chamá-los de afrodescendentes, quando todos nós brasileiros somos uma amálgama de índios, europeus e negros e o conceito de raça humana não tem qualquer embasamento científico. Mesmo porque, toda humanidade descende de uns poucos ancestrais africanos que, quase certamente, tinham a pele escura. Somos um terreiro de galinhas de variadas cores e tamanhos e nossas habilidades e talentos, ou falta de habilidades e talentos não estão associadas às nossas cores ou características físicas. A Alemanha de Hitler e a África do Sul já provaram que essa estultice é moralmente indefensável, socialmente desintegradora, politicamente incorreta e humanamente injusta. Parece que nossos líderes políticos não fizeram o dever de casa de história, ou ficaram dependentes na matéria, estão caminhando de ré no curso que humanidade tomou rumo à integração de todos os povos. Enquanto nações de todo o mundo procuram aplainar os degraus políticos que segregam homens pelo fato de terem na pele mais melanina que outros; ou que seus costumes e tradições não sejam iguais aos da maioria, como o fez a África do Sul ao eliminar a política do apartheid; ou como a Alemanha se comportou após a guerra, ao proibir que continuasse existindo a cultura da “raça superior” que os nazistas pregavam e que resultou na eliminação de milhões de pessoas consideradas inferiores, o Brasil, corajosamente, encheu os pulmões de ar, ergueu a cabeça, aprumou-se e... deu um gigantesco passo para trás: criou as cotas raciais para ingresso nas universidades e serviços públicos. Ora, minha gente, quais raças existem no Brasil? Algumas são menos aptas que outras por isso devem ser tuteladas pelo Estado? Em caso afirmativo, quem decide quais as raças menos dotadas e as mais capazes? As burras cotas raciais mantém os privilégios a uma minoria de estudantes de classes média e alta, os quais estudaram em escolas privadas, e conserva intacta, atrás do falso manto da inclusão, uma estrutura de ensino público arruinada responsável pelo baixo nível da educação desde a alfabetização até o nível intermediário. É preciso elevar o padrão geral do ensino, mas, sobretudo, romper o abismo entre as escolas de qualidade, quase sempre situadas em bairros de classe média, e as escolas arruinadas das periferias urbanas, das favelas e do meio rural. A história ensina que leis raciais, como essa da inclusão, criam uma fronteira brutal no meio da maioria absoluta das pessoas. Essa linha divisória ultrapassaria salas de aula das escolas públicas, se introduziria nos ônibus que conduzem as pessoas ao trabalho, e alcançaria ruas e casas dos bairros pobres. Neste início de terceiro milênio, um Estado racializado estaria dizendo aos cidadãos que a utopia da igualdade fracassou; estaria afirmando, contra todos os princípios biológicos, que o homem é dividido entre melhores e piores e que essa diferença é o oriunda das raças distintas das quais descende. O sistema de cotas surgiu nos Estados Unidos, mas pouco durou, pois foi proibido pela Suprema Corte por estar aumentando a discriminação racial e a desigualdade entre as pessoas. No Brasil tenta-se criar o conceito de raça, como fez a Alemanha de Hitler ao criar o judeu racial, e, além disso, fecha-se os olhos para as estruturas podres que não conseguem proporcionar ensino que permita inclusão no mercado de trabalho e justiça social a todos. A adoção de cotas estimula uma discriminação reversa, em que um grupo de pessoas, no caso, os estudantes que tentam ingressar nas universidades públicas, sofre o ônus. Vivemos em uma sociedade onde, felizmente, o preconceito não é escancarado. As pessoas que são racistas, não são bem vistas, por isso, têm vergonha de dizer que o são. Conseguimos sair da escravidão sem ter uma sociedade cultuando ódio racial. Por favor, senhores, implementar raça como fator de segregação pode acabar com esse equilíbrio, pode criar uma odiosa sociedade de mais aptos e menos aptos baseados numa bobagem, ao invés de premiar o mérito de cada um independente da cor da pele. Cor não é raça, e nem critério de distinção entre pessoas. JAIR, Canoas, 18/06/09.