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terça-feira, 2 de março de 2010

NUMISMÁTICA - 1

MEU HOBBY


Desde quase quarenta anos atrás me dedico à numismática. O Houaiss registra: NUMISMÁTICA - Ciência que tem por objeto de estudo as moedas e as medalhas. Entendendo-se moeda no sentido lato = dinheiro, abrangendo moedas metálicas e notas de papel ou de qualquer outro material que os tempos modernos determinem. É um mundo extremamente fascinante e envolvente, e quem a ele se dedica adentra a história, a geografia, a economia e a organização política dos países. A história do dinheiro é própria história da civilização; os limites geográficos dos países determinam o tipo do dinheiro adotado; a economia e a moeda são irmãs siamesas; e a política muda a cara das notas e moedas na medida em que os governantes e os regimes mudam.
Minha coleção, hoje bem avultada, refere-se somente a notas de valor nominal UM, de todos os tempos e todos os países. Claro que é um projeto não apenas de uma vida, e sim de gerações. Quando eu me for, se meu filhos ou netos quiserem continuar a colecionar terão um campo enorme à frente. E que bons ventos os conduzam.
Bem, hoje não vou falar sobre minha coleção ou sobre coleções, quero apenas apresentar algumas notas brasileiras que, por saírem das configurações normais, pelo valor facial ou pela impressão são curiosas, ou quase isso. Abaixo algumas notas de meu acervo que selecionei e vou dizer alguma coisa sobre elas:


Nos tempos d'antanho (ô palavrinha danada de demodê, que, aliás, também é ultrapassada), mais precisamente durante o Império do Brasil com "S", o Real era a moeda corrente, "réis" era o plural de Real, e o dinheiro tinha tanto valor que o poder podia se dar ao luxo de mandar imprimir notas de quinhentos réis, em 1874 e 1880. Para termos idéia do que isso significa, é como se hoje existissem notas de cinquenta centavos. Estas são cédulas com a efígie do Imperador fabricadas pela American Bank Note Company, maior fabricante de dinheiro do mundo por muitos anos. No século dezenove e início do século vinte era comum a ABNC fabricar notas até para a China e Rússia.


A República, que ainda era "dos Estados Unidos do Brazil" (assim mesmo com "Z") em 1893 e 1901 também emitiu notas de quinhentos réis. Como não havia inflação, era viável emissão de notas de baixo valor.


Na década de vinte o Brasil resolveu fazer experiência com impressão de dinheiro, através da Casa da Moeda do Rio de Janeiro. As notas acima são representativas dessa malograda tentativa de nacionalizar a fabricação do meio circulante. Papel de péssima qualidade, quase papel de jornal, desenho simples e impressão sofrível, notas fáceis de serem falsificadas. Os falsários comemoraram o período favorável ao ofício, tanto dinheiro foi contrafeito nos recônditos da criminalidade que o poder constituído resolveu recolher-se a sua humildade e voltar a American Bank Note. Tenho uma nota falsa dessa época.


Em 1905 a empresa italiana Cartiere P. Miliani - Fabriere, fabricou notas de excelente qualidade para o Brasil. Desenho primoroso, impressão de primeira e resistente papel de arroz tornavam essas notas muitos pontos melhores que as da American Bank Note, mas, por alguma injunção desconhecida, nunca mais foram importadas. A efígie que aparece na marca d'água oval é do Barão do Rio Branco. Mais de um século depois, esta que aparece na foto está em estado de nova.


Getúlio havia empalmado o poder com a revolução de 1930, e os partidários gaúchos não resistindo a tentação, em 1931, emitiram "bonus" com a efigie do ditador que, na prática, representavam duas coisas: Era dinheiro regional que valia para todos os efeitos; e homenageava o homem forte do país. Foram confeccionadas pela Lithographia da Livraria Globo de Porto alegre e não perdiam em qualidade para o dinheiro circulante da época. A Livraria Globo era sediada na rua da Praia até este século.


Nota de Cem mil réis de 1942 onde aparece pela primeira vez Alberto Santos Dumont. O curioso desta emissão é que no mesmo ano o padrão "milréis" foi substituído pelo padrão Cruzeiro, e a homenagem ao grande brasileiro tornou-se pífia. Além dessa homenagem ao pai da aviação esta nota foi fabricada, curiosamente, por Waterlow & Sons Limited, de Londres, concorrente inglesa da American Bank Note Co. de Nova Iorque. Apesar da qualidade do papel e da impressão, parece que a experiência não deu certo porque a American voltou a fabricar notas para nossa República novamente.
Penso em postar mais textos que registrem informações sobre notas de outros países.
JAIR, Floripa, 03/02/10.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

FALANDO SOBRE OVOS


Depois que publiquei meu post sobre ovos recebi alguns comentários e, entre eles, destaco o seguinte: “Jair. Muito bom e didático este seu ‘textículo’ sobre ovos, entretanto, não devemos esquecer que existem também, ‘os óvos’, linguajar chulo que define testículo..” do meu primo Joel. Pois é, pelo visto faltou enquadrar o assunto na conotação testicular. Na verdade se formos encarar as gônadas masculinas em função de sua forma geométrica elas guardam mais semelhança com um feijão ou um rim, não com um ovo. Contudo, como encerrei meu texto aludindo à perfeição: O OVO CÓSMICO é por aí que vamos começar, mesmo porque, esse é o ovo primordial. O ovo cósmico representa a perfeição por que ele seria a gênese de tudo que existe, é dele que tudo se origina. Não só a origem física das coisas, como a origem do próprio pensamento; a origem da idéia de criação. Vejamos. É do ovo que nascem as aves, os répteis e os peixes; nos mamíferos os ovários das fêmeas assemelham-se a ovóides e, dali saem os óvulos que não pela forma, já que são esféricos, estão ligados à idéia de criação, nascimento, concepção; com uma certa liberalidade podemos dizer que o aspecto da maioria das frutas se assemelha a ovos; até formas oblongas alongadas como uma banana, embora não pareçam, também são ovos degenerados; já a maioria das laranjas, por exemplo, são tão parecidas com ovos de avestruz que torna-se claro entender a correlação existente. Ora, as frutas também estão, intrinsecamente, ligadas à reprodução, à perpetuação das espécies, pois nelas estão inclusas as sementes que podem ser vistas como ovos da planta que quer se reproduzir. A idéia do início de tudo associada ao ovo está na totalidade das coisas que nos cercam e, não poderia ser diferente, até nos nossos bagos. Os testículos poderiam ter formato de cubo ou octaedro e, ainda assim seriam ovos, obviamente, neste caso, não pelo aspecto mas, pela finalidade a que se destinam, isto é, pela idéia de início da vida. Queiramos ou não, quando se diz que o homem pensa com os testículos, de certo modo é verdade, passamos mais tempo pensando em sexo que preocupados com questões filosóficas e pensamentos abstratos; temos entre as pernas o saco escrotal que é tão importante quanto o cérebro só que mais aparente e sensível. Nosso cérebro, não por acaso encerrado numa caixa craniana em forma de ovo achatado, não sente dores, sendo possível até intervir cirurgicamente sem anestesia em seu interior, já nossas bolas são dotadas de uma sensibilidade em nenhum momento igualada por quaisquer órgãos do corpo. A natureza localizou o escroto dos homens entre as pernas para, justamente, protegê-lo de possíveis agressões externas; as pernas são escudos sólidos que ladeiam como colunas dóricas esse tão delicado quanto essencial órgão; por trás, a região glútea muito musculosa age como almofada amortecendo qualquer tipo de impacto vindo de lá; na frente nossos olhos são os radares que nos advertem se houver perigo iminente. Assim, protegidos pela natureza, os colhões são, ainda que só do ponto vista masculino, o centro da origem dos seres organizados e, por isso, sejam eles redondos, quadrados ou de qualquer outra forma sempre serão OVOS. JAIR, Floripa, 29/12/08.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

O OVO



Consta que Cristóvão Colombo, depois de ter descoberto a América, já sendo homenageado pela façanha, foi menosprezado por um nobre, conterrâneo seu, como tendo praticado um feito que “qualquer um” faria. Ofendido, Colombo desafiou “qualquer um” dos presentes a colocar um ovo na posição vertical. Depois de inúmeras tentativas sem êxito, o desafeto, enfim rendeu-se e, num gesto tão grandiloqüente quanto babaca, desafiou por sua vez, Colombo a fazê-lo. O grande navegador Genovês não se fez de rogado, quicou o ovo levemente na superfície da mesa, de modo a fazer uma pequena mossa numa das extremidades permitindo que ele permanecesse de pé. – “Claro que desta maneira "qualquer um" pode fazê-lo!", objetou um pouco alterado, o cortesão.- "Sim qualquer um. Mas "qualquer um" ao que se lhe tivesse ocorrido fazê-lo", disse Colombo. E acrescentou: - "Uma vez eu mostrei o caminho ao Novo Mundo, qualquer um poderá segui-lo mas, alguém teve antes que ter a idéia. E alguém teve depois, que se decidir a colocá-la em prática”. Esta historinha apócrifa tem por finalidade enaltecer a clarividência do Navegador e traz , no seu bojo, como coadjuvante, um ovo. Numa entrevista sobre sua obra, o então consagrado pintor Pablo Picasso, revelou que ao tentar desenhar um rosto perfeito, foi retirando todos os adereços do objeto em questão e chegou finalmente na forma de um ovo. Mais uma vez o ovo serviu como exemplo numa estória edificante. Do ponto de vista da biologia, Ovo é o mesmo que Zigoto. É uma célula que se forma após a fusão do núcleo do óvulo (pronúcleo feminino, haplóide) com o núcleo do espermatozóide (pronúcleo masculino, haplóide) por cariogamia, o que dá origem à célula diplóide denominada ovo ou zigoto. Ovíparos são animais – freqüentemente aves, peixes e répteis, mas, excepcionalmente também mamíferos monotremos como o ornitorrinco e a équidna, australianos – que põem ovos donde saem suas crias. Ovovivíparos são animais – peixes, cobras e lagartos, mais comumente – que mantém o ovo fecundado dentro do ventre, onde o embrião se desenvolve sem se nutrir a custa do organismo da mãe. “Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?”, pergunta supostamente existencial que permeia a baixa literatura é, também, adágio onde o ovo se faz presente. Anos atrás o alimento mais completo era o ovo. Hoje, vez ou outra, a ciência condena o ovo como produtor de colesterol ruim, e, quase imediatamente, absolve-o como gerador de bom colesterol. Para o bem ou para o mal ovo está sempre em pauta. Aura é o invólucro energético, de forma ovóide, que envolve o indivíduo. Durante muito tempo a constatação da existência da aura, tanto a humana como a dos demais seres orgânicos e inorgânicos, ficou restrita às crenças religiosas e à metafísica. Metafísica (do grego μετα [meta] = depois de/além de e Φυσις [physis] = natureza ou físico) é um ramo da filosofia que estuda a essência do mundo. Como se vê, também a metafísica se rende à forma do ovo na sua definição de aura. Bem, seja porque a gênese de tudo se dá desde o ovo primordial que, num paroxismo monumental, explodiu no Big Bang inicial; seja porque o início da vida dos seres terrenos se produz num ovo; ou seja porque a rotação de duas elipses semi-sobrepostas cria a forma mais geometricamente elegante e instigante da natureza, o ovo nos seduz. Confesso que sou fascinado pelo oval, pelo ovóide, pelo ovo, enfim. Tenho coleção de ovos, naturais e feitos pela mão do homem. Desde o de avestruz, gigante equivalente a vinte ovos de galinha, esculpido com motivos da savana africana, até o de codorna em forma de pêssanka. Na história do povo ucraniano sempre esteve presente a tradição de colorir ovos na época em que o Sol voltava triunfante, eliminando a neve que cobria a rica terra negra da Ucrânia. Em escavações arqueológicas, foram encontrados indícios desta arte a mais de 3.000 anos antes de Cristo, sendo que naquela época, eram utilizadas ferramentas muito rústicas para se confeccionar uma pêssanka. Minha pequena coleção passa, principalmente, pelos ovos de pedra sabão, ágata, ônix, quartzo, mármore, calcita, granito, alabastro e hematita mas, contempla outros de madeira, osso, metais diversos, cerâmica, argila, vidro, papier machê e porcelana. Até uma cerâmica do Brenand em forma de ovo enriquece meu acervo. O excêntrico ovo verde escuro de emu é uma das vedetes do conjunto. O Emu (Dromaius novaehollandiae, "Corredor da Nova Holanda" em Latim) é o maior pássaro nativo da Austrália e, depois do Avestruz, o segundo mais pesado pássaro que vive hoje. Ele habita a maioria das áreas menos povoadas do continente, evitando apenas a floresta densa e o deserto severo. Como todos os pássaros do grupo das Struthioniformes, ele não pode voar, embora diferente de alguns ele possui pequenas asas escondidas sob as penas. Pois é, o ovo está, esteve e estará presente em todos os tempos no universo conhecido e até desconhecido, do inicial Big Bang ao final Big Crunch. O Big Crunch é uma teoria segundo a qual o universo começará no futuro a contrair-se, devido à atração gravitacional, até entrar em colapso sobre si mesmo e chegar à perfeição: o OVO CÓSMICO. JAIR, Floripa, 13/11/08.