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sábado, 15 de outubro de 2011

Camelos



Camelídeos são animais encontráveis em continentes tão distantes uns dos outros como América do Sul, África, Ásia e até Oceania, contudo, por estranho que possa parecer não se originaram em nenhuma dessas regiões. Acredita-se que esse animal é o mais antigo dos ruminantes. Curiosamente, os camelídeos não tiveram origem na África como costuma parecer, mas na América do Norte. Camelos da América do Norte foram extintos cerca de 15.000 anos atrás. Durante o Pleistoceno – período compreendido entre 1,80 milhões e 11,5 mil anos atrás, aproximadamente - os ancestrais da lhama, do guanaco, da vicunha e da alpaca – migraram para a América do Sul, enquanto os ancestrais do camelo e do dromedário cruzaram uma passagem que existia onde hoje é o estreito de Bering, e adentraram o leste da Ásia. Da Ásia migraram pela Europa oriental, pelo Oriente Médio e pelo norte da África. Por volta de 3000 aC, entretanto, os camelídeos selvagens também se haviam extinguido da América do Norte. Foram introduzidos no Saara à medida que a desertificação aumentou sua utilidade lá e logo se tornaram o bem mais importante para um homem, algo assim como o cavalo na cultura européia. Camelos foram domesticados na Arábia por volta de 1800 aC, e talvez antes, já em 4000 aC. na Ásia Central. No deserto, ainda hoje, o proprietário de um camelo é dono de uma riqueza insubstituível.
Camelos são frequentemente referidos como "barcos do deserto", porque são utilizados para transporte de mercadorias e pessoas através de longas distâncias. Seu leite e carne são consumidos pelos povos nômades do deserto. Seu pelo é cortado e usado na confecção de tapetes, cordas, roupas e tendas. O couro é curtido e também usado como tapete. O esterco seco é utilizado como combustível. Unidades de camelos montados têm sido usadas ao longo dos séculos pelas forças militares e policiais.
Camelo se originou nas Américas cerca de 40 milhões anos atrás, e havia migrado para a Ásia na época da última Idade do Gelo. Como me deparei com dromedários selvagens na zona rural de minha cidade natal, acredito que a adaptabilidade desses animais associados ao deserto seja muito mais ampla que se imagina. Assim como o Pantanal mato-grossense possui cavalos selvagens, e javalis africanos estão disseminados nos campos e matas do sul do país, não duvido que as matas ombrófilas do segundo planalto do Paraná abriguem descendentes daqueles camelídeos que encontrei nos fins dos anos cinquenta.
Mas o que são camelídeos? Que espécies de animais são eles que podem ser encontrados em estado natural tanto nas areias escaldantes do Saara como no terrível frio do deserto de Gobbi na Ásia? Passando pelo Outback australiano e as regiões andinas desde o Equador até o gelado sul da Argentina?
Os camelídeos são animais exclusivamente herbívoros e de grandes dimensões. Esta família distingue-se dos restantes dos ruminantes por terem um aparelho digestivo constituído por três (em vez de quatro como os bovídeos, por exemplo) câmaras. Esse sistema digestivo lhes permite um aproveitamento extraordinário das plantas quase sempre duras e fibrosas que ingeriram.
O dromedário ou camelo árabe distingue-se do camelo bactriano, nativo da Ásia Central, pela presença de apenas uma giba ou corcova, contra duas do último. A bossa do dromedário não contém água como supõe a crença popular, mas gordura acumulada pelo animal em tempos de fartura, gordura esta que é uma espécie de ”poupança” para os períodos de escassez. A água é acumulada em sua corrente sanguínea, onde seus glóbulos vermelhos podem aumentar em até duzentos e cinquenta por cento seu volume para acumulá-la. Para comparação, nossos glóbulos vermelhos podem aumentar cento e vinte por cento. Outras adaptações à vida no deserto incluem: uma pelagem esparsa e suave que permite refrigeração, variando do branco-sujo ao bege-claro ou castanho-escuro; suas patas, que têm base larga, com uma área que impede que se enterrem na areia; pálpebras semitransparentes que lhe facultam enxergar de forma bastante razoável mesmo com os olhos fechados; além de longos cílios que protegem os olhos do animal durante tempestades de areia. Não é a toa que os conquistadores portugueses os apelidaram de caravelas do deserto. Uma das características que provam a ancestralidade comum dos camelídeos é o hábito que têm de cuspir quando se sentem incomodados. Tanto os dromedários e camelos, como seus parentes andinos, defendem-se lançando um cuspe espesso e grudento em quem os perturba.
O dromedário encontra-se extinto na natureza e a totalidade da população existente no Oriente Médio vive domesticada. O único local do mundo onde ainda restam populações selvagens é nas zonas áridas da Austrália, que tem condições de clima e paisagem relativamente semelhantes. Os dromedários australianos são descendentes de animais introduzidos pelos pioneiros que exploraram o centro do país e que depois passaram ao estado selvagem. O dromedário foi domesticado como meio de transporte à semelhança do cavalo.
Já a lhama e seus parentes, guanacos, alpacas e vicunhas são animais menores, mas extremamente adaptados as altitudes e temperaturas dos Andes. Quando trabalhei na Bolívia, nas minhas andanças pelos altiplanos ao redor de Cochabamba, costumava encontrar lhamas e guanacos selvagens em regiões que pareciam desprovidas de plantas e água que pudessem dar suporte à vida de animais daquele porte. Contudo, milhares de preás, muitas lhamas e até chinchilas viviam muito bem naquelas alturas de pouca atmosfera e escassa comida.
No deserto, os camelos, além de serem um meio de transporte seguro e confiável, também podem ser usados como meio de orientação eficiente. Quando um ser humano na companhia de um camelídeo estiver perdido, basta deixar que o animal o conduza sem interferir no seu rumo, o bicho, por instinto de sobrevivência, o conduzirá até um oásis ou fonte onde exista água, é uma aposta certa. Enfim, esses animais mal humorados e turrões são o que há de melhor para uma civilização vindoura que restará depois que o Planeta for atingido por um asteróide e nada das nossas conquistas atuais sobreviver. Podemos colocar todas nossas fichas nos camelídeos com segurança, esses animais serão capazes de contribuir para o ressurgimento de uma nova civilização. JAIR, Floripa, 16/09/11.